Pesquisa sobre Economia da Música em Sergipe, do OBSCOM, é publicada em livro da FAPITEC/SE

por Irla Rocha

Fruto do trabalho desenvolvido pelo Observatório da Economia e da Comunicação (OBSCOM), a pesquisa sobre Economia da Música conquista mais um espaço acadêmico: a publicação do artigo “Economia Política da Música em Sergipe: trabalho, tecnologia e mercado” no primeiro livro da série Documentos – Pesquisa em Políticas Públicas no Estado de Sergipe, editado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado (FAPITEC/SE) no final do ano passado, 2014.

A pesquisa detalhada no artigo

A pesquisa “Economia Política da Música em Sergipe: trabalho, tecnologia e mercado” faz parte das atividades do Observatório de Economia e Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (OBSCOM/UFS). O artigo em questão apresenta os resultados gerais do estudo desenvolvido entre 2010 e 2013, através de bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Universidade Federal de Sergipe, e do Edital FAPITEC/SE/FUNTEC No. 13/2011, de Políticas Públicas.

Além do intuito de trazer à baila as informações relativas à pesquisa desenvolvida, o texto ganha vida devido o seu posicionamento crítico sobre os artistas e as políticas públicas envolvidas na cadeia produtiva da música. Longe do discurso falacioso da democratização proporcionada pela digitalização da música, o artigo propõe uma reflexão sobre o mercado da música em Sergipe pelo viés da Economia da Cultura, Economia da Música e da Economia Política da Comunicação e da Cultura. Os dados sobre a evolução da indústria da música fonográfica no mundo e no Brasil vêm a corroborar para uma compreensão da música feita em Sergipe e as suas relações com as dinâmicas do mercado da música no país.

Um dos pontos altos do artigo está na rica introdução que parte do debate amplo sobre a música na perspectiva da Economia Política da Música que prepara o terreno para a recepção do leitor sobre os materiais e métodos utilizados durante a execução e o resultado da pesquisa. Será nestas sessões, respectivamente, que teremos um mapa de como foi realizada a pesquisa, dados coletados através de entrevistas e aplicação de questionários, e uma discussão crítica a partir da cadeia produtiva da música como instrumento analítico, que traçaram com profundidade o perfil do artista sergipano. Entre os resultados marcantes temos:

  • A elaboração do Catálogo da Música de Sergipe (2013), que apresenta dados sistematizados e consolidados pela pesquisa, registrando 403 agentes da cadeia produtiva da música do estado;
  • Indústrias de instrumentos musicais e de equipamentos de som e gravação são pontos frágeis da cadeia;
  • Inexistência de canais de financiamento, com crédito específico para a área musical, disponíveis para os artistas;
  • A presença do curso de Música, da UFS, corrobora positivamente para uma mudança qualitativa;
  • Uma pungente e diversificada produção autoral;
  • Ainda que as tecnologias digitais facilitem o processo fonográfico e a internet ajude na divulgação do conteúdo musical, as principais vias para que essa música chegue ao público estão dominadas pelo poder público, pelos meios de comunicação de massa tradicionais e pelos grandes produtores locais;
  • Cerca de 2/3 dos artistas que responderam ao questionário possuem CD que funciona como material de divulgação do seu trabalho. Contudo, destes apenas 10% foram lançados por selos ou gravadoras, caracterizando uma produção autoral de 69%;
  • Apesar de a maioria dos artistas sergipanos estarem na internet, não apresentam um registro de obtenção de renda pelas faixas na rede mundial de computadores;
  • Boa parte dos artistas assume a prerrogativa de produção, articulando e negociando shows e cachês;
  • Poucos fazem uso dos editais públicos para participação em show;
  • Demonstraram certa dispersão, pois mais de 70% responderam não terem vinculação a entidade de fóruns, coletivos ou afins;
  • O show constitui-se como a principal fonte de receita dos artistas.

O livro

De acordo com a FAPITEC, o livro reúne uma coletânea de artigos que versam sobre os resultados dos 22 projetos contratados pelos primeiro edital 13/2011 do Programa de Apoio e Desenvolvimento de Políticas Públicas em Sergipe (NAPs). Tais editais resultaram num investimento em R$ 581.665,39 e em 32 bolsas de Inovação e Tecnologia (PIBITI).

O texto de apresentação da obra afirma que a publicação destina-se a divulgar e disseminar os resultados obtidos, e possibilitar o aprimoramento da formulação de políticas públicas pela administração estadual, ressaltando a importância da ciência para o desenvolvimento de Sergipe.

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