Sobre a pesquisa

Apresentação

A pesquisa “Economia Política da Música em Sergipe: trabalho, tecnologia e mercado” integra as atividades do Observatório de Economia e Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (OBSCOM/UFS) .
A proposta atual retoma os resultados do estudo intitulado inicialmente ‘Cadeia Produtiva da Música em Sergipe’, inscrito no Programa de Iniciação Científica da Universidade Federal de Sergipe (PIBIC/UFS) 2010/2011 e renovado em segunda fase, no referido programa, para o período 2011/2012, e terceira, para 2012/2013, com a nova denominação. O mesmo projeto foi contemplado no Edital FAPITEC/SE/FUNTEC No. 13/2011, de Políticas Públicas.
A abordagem analítica adotada considera, de um lado, o avanço do processo de mercantilização da cultura, as especificidades da produção de bens culturais e do chamado trabalho cultural, intelectual, criativo, e as taxonomias das indústrias culturais, na perspectiva da Economia Política da Comunicação e da Cultura, e em particular do desenvolvimento da indústria fonográfica; de outro, os impactos da “revolução tecnológica”, representada pelas tecnologias da informação e da comunicação (TIC), em especial a Internet.
Nesse trabalho, utiliza-se a noção de cadeia produtiva, problematizando-se um importante aspecto para o caso da música: a centralidade do suporte CD como fio estruturante das atividades que constituem as etapas de pré-produção, produção, distribuição/comercialização e consumo (vide: A Cadeia Produtiva da Economia da Música), com as mudanças na relação de receitas percebidas entre a venda de CDs e a de shows, como também as outras formas de disponibilização de conteúdo musical via suportes digitais.
Considerando esses novos suportes de disponibilização da música, representados pelo fenômeno da internet, atingindo ademais as esferas de criação e produção de conteúdo musical, o foco da análise está no acompanhamento do uso e da apropriação das tecnologias digitais, aliado ao levantamento das estratégias de negócios dos agentes, e sua repercussão na dinâmica de funcionamento do mercado da música no estado de Sergipe. Após a identificação de alguns elementos da cadeia produtiva no estado, é apontada a existência de circuitos musicais constituídos ao redor de gêneros musicais.

Hipótese construída

Os “circuitos musicais”, como definidos, articulam-se, em primeiro plano, em torno de gêneros musicais próprios (arrocha, axé, forró, gospel, pagode, pop rock, rock, sertanejo, etc), e secundariamente, o que daria suas especificidades, em termos: 1) das relações entre as ações do Estado (‘políticas públicas’), do setor privado e dos meios de comunicação de massa; 2) do uso e da apropriação das tecnologias digitais pelos ‘trabalhadores culturais’, e; 3) das estratégias de negócios assumidas por estes.

Hipótese

Objetivos

  • Geral: Analisar a dinâmica de produção, distribuição e comercialização da música em Sergipe.
  • Específicos:
    – ampliar as fontes cadastrais referentes aos artistas (solo/banda);
    – realizar o mapeamento dos agentes envolvidos na produção, distribuição e comercialização da música em Sergipe;
    – proceder à demarcação e estudo dos circuitos musicais no estado;
    – estudar o uso e a apropriação das novas tecnologias pelos “trabalhadores culturais”;
    – analisar as estratégias de negócios dos agentes musicais.

Etapas de execução

O projeto respeitou as seguintes etapas de execução:

1) Apropriação dos resultados e discussões do projeto em andamento;

2) Revisão de Literatura, envolvendo os seguintes objetivos: acompanhamento do estado da arte no campo da “Economia da Cultura” e da “Economia da Música”, assentado nos estudos da Economia Política da Comunicação e da Cultura; da evolução da indústria fonográfica no mundo e no Brasil, em termos da sua base técnica e de organização econômica; e dos estudos de caso já realizados voltados para o entendimento da dinâmica do mercado da música no país;

3) Levantamento (e atualização) e análise das informações já sistematizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Cultura (MinC) (2009), e pelo estudo sobre a cadeia produtiva da economia da música no Rio de Janeiro (2004) e em Belo Horizonte, produzido pela Fundação João Pinheiro (2010), entre outros, a serem identificados;

4) Aplicação do questionário semi-aberto, de forma presencial, junto aos artistas (solo/banda), formulado a partir da pesquisa de Prestes Filho (2004) e das rodadas de discussão com o Fórum Música Sergipe (FMS), ocorridas entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 . Em segunda e requalificada fase da pesquisa, amplia-se o universo que serve de base para a amostragem definida. O universo contempla os municípios identificados com maior número de artistas cadastrados: Aracaju, Canindé de São Francisco, Estância, Frei Paulo, Itabaiana, Itaporanga D’Ajuda, Lagarto, Laranjeiras, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro, Propriá e Tobias Barreto.
Esses municípios foram definidos por apresentarem maior concentração demográfica de artistas, conforme as fontes consolidadas da lista do FMS, do site Palco MP3, do cadastro da Secretaria do Estado da Cultura (SECULT) e do documento Som da Terra. A lista do FMS foi considerada, pelo fato de a pesquisa ter sido ensejada por solicitação deste coletivo; a do Palco MP3, por ser uma plataforma ilustrativa de veiculação de conteúdo musical pela internet, além de identificar os(as) artistas por gênero/estilo musical e município; o cadastro da SECULT, por representar banco de dados oficial e; o documento Som da Terra, por ser o primeiro catálogo de música publicado em Sergipe. A consolidação desses cadastros soma um total de 936 (novecentos e trinta e seis) artistas. Utilizando-se de técnica amostral, a aplicação do questionário cobrirá um percentual representativo do universo cadastrado.
O questionário, cuja segunda versão está disponível na plataforma Google <https://spreadsheets.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dDdzS2QySXhsN2FHNElmWkMtUVlfSGc6MQ>, passou pela crítica, no intuito de identificar se seus enunciados eram apresentados com clareza e objetividade, e se as questões levantadas refletiam a realidade vivenciada pelos respondentes, quando foi preenchido espontaneamente por 32 (trinta e dois) artistas (solo/banda).
O questionário foi aplicado presencialmente nos municípios de Aracaju, Canindé de São Francisco, Estância, Frei Paulo, Itabaiana, Itaporanga D’Ajuda, Lagarto, Laranjeiras, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro e Tobias Barreto.

                                         Parâmetros para a aplicação do questionário

População 936 artistas (solo/banda)
Primeira versão: junho/2011 a janeiro/2012 32 depoentes (solo/banda).
Segunda versão: novembro/2012 a agosto/2013 114 depoentes (solo/banda).
Avaliação dos aparelhos culturais (públicos e privados) 118 depoentes (solo/banda)
Amostra aleatória simples, considerando população de 936 artistas (solo/banda) 112
Total de questionários preenchidos 146

5) Realização e transcrição de entrevistas abertas junto a outros agentes da cadeia produtiva, técnicos de som, produtores, roadies, etc. Foram realizadas 20 (vinte) entrevistas, em um total de 23 (vinte e três) entrevistados (As entrevistas estão sendo disponibilizadas no Portal EPM, no link “Multimídia”).

6) Elaboração do presente portal, em efetivo funcionamento, vinculado ao OBSCOM (www.obscom.com.br), que se prestará a reunir informações sobre a pesquisa, incluindo artigos acadêmicos sobre as temáticas envolvidas, entrevistas, registros fotográficos da pesquisa; e do Catálogo da Música de Sergipe, atualizado por ferramenta disponível de cadastramento, e que terá também publicação impressa, com informações sobre artistas (solo/banda) e de demais agentes da cadeia produtiva da música do estado.

7) Tabulação e análise das informações colhidas, com o intuito de elaboração, apresentação em seminários e publicação de relatório técnico da pesquisa. Conforme cronograma de responsabilidades junto a FAPITEC/SE (para acessar o Relatório Final, ir para: <http://obscom.com.br/musica/wp-content/uploads/2015/05/Relat%C3%B3rioT%C3%A9cnicoFinal_Fapitec_2013_SANTOSVerlane.pdf>).

Produtos e estratégias utilizadas

– Seminários “Economia Política da Música”: espaço para discussões sobre temáticas relacionadas à música e à cultura; e para apresentação dos andamentos e resultados da pesquisa (para mais informações, acessar os links “Multimídia” e “Blog” do Portal EPM);

– Portal “Economia Política da Música” (www.obscom.com.br/musica): canal para disponibilização de informações sobre a pesquisa, seus andamentos e resultados;

– Catálogo da Música de Sergipe: na versão on line como instrumento de cadastramento e mapeamento dos agentes da cadeia produtiva da música (www.obscom.com.br/musica/catalogo); e adicionada à versão impressa (http://obscom.com.br/musica/wp-content/uploads/2013/10/catalogo-da-musica-de-sergipe-2013.pdf), de identificação e publicização dos agentes, por atuação, localidade e contatos.

Dados consolidados

A consolidação das fontes cadastrais (FMS; Palco MP3; SECULT/SE e Som da Terra) resultou no seguinte universo quantitativo de artistas (solo/banda):

quadro-artistas

Mapa Demográfico dos Artistas (solo/banda) da Música de Sergipe – 2012

mapa-pesquisa

Resultados

Dados gerais dos Artistas (solo/banda):

Produtos/suportes

Grafico1

Gêneros/estilos musicais Figura 2

Produção autoral

Figura 3

Sites e/ou outros perfis na internetFigura 4

ProdutorFigura 5

 Vinculação a entidades de classeFigura 6

Participação em coletivos e/ou fóruns

Figura 7

Principal ocupação na músicaFigura 8

Renda Média (R$) Mensal na Atividade MusicalFigura 9

 

 

Bibliografia básica

ATTALI, J. (1995). Ruidos. Ensayo sobre la Economia Política de la Música. México: Siglo Vientiuno Editores.

BOLAÑO, C. (2000). Indústria Cultural, Informação e Capitalismo. São Paulo: HUCITEC.

BOLAÑO, C; GOLIN, C.; BRITTOS, V. (2010). Economia da Arte e da Cultura. São Paulo: Itaú Cultural; São Leopoldo: CEPOS; São Cristóvão: OBSCOM.

BOLAÑO, C.; HERSCOVICO, A.; MASTRINI, G. (1999). “Economía política de la comunicación y la cultura: una presentación”. In.: Mastrini. G. & BOLAÑO, C. (edts.). Globalización y Monopolios en la Comunicación en América Latina. Hacia una Economía Política de la Comunicación. Buenos Aires: Biblos, pp. 9-25.

FURTADO, C. (2008). Criatividade e Dependência na Civilização Industrial. São Paulo: Companhia das Letras.

PRESTES FILHO, L. C. (org.). (2004). Cadeia Produtiva da Economia da Música. Rio de Janeiro: Instituto Gênesis.

Equipe

  • Allan Jonnes de Souza Araujo
    (Bolsista de Iniciação Científica/COPES/UFS)
    Currículo Lattes
    allan
  • Bruna Távora de Sousa Martins
    (Bolsista de Iniciação Científica/CNPq – 2010/2013)
    Currículo Lattes
    equipe-bruna
  • César Ricardo Siqueira Bolaño
    (Consultor)
    Currículo Lattes
    2
  • Demétrio Rodrigues Varjão
    (Bolsista de Pós-Graduação/CAPES – 2012-2014)
    Currículo Lattes
    Demétrio Rodrigues
  • Edson Ramos de Oliveira Costa
    (Bolsista de Pós-Graduação/CAPES)
    Currículo Lattes
  • Flávio Marcílio Maia e Silva Júnior
    (Bolsista de Pós-Graduação/FAPITEC-SE)
    Currículo Lattes
    flavio
  • Talita de Souza Mota
    (Bolsista de Iniciação Científica/COPES/UFS – 2011-2013)
    Currículo Lattes
    Talita Mota
  • Verlane Aragão Santos
    (Coordenadora)
    Currículo Lattes
    Verlane Aragão
  • Poliana Mendes Cavalheiro
    (Bolsista de Iniciação Científica/COPES/UFS)
    Currículo Lattes