O Observatório de Economia e Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (OBSCOM-UFS) desenvolve, há vinte anos, estudos e pesquisas sobre a dinâmica dos setores da comunicação e culturais como fenômenos econômicos, no contexto do processo de mercantilização da cultura, inerente ao capitalismo, e que se acentua com a digitalização geral da produção e distribuição de conteúdos.

O enfoque do OBSCOM no estudo das indústrias culturais e da comunicação – bem como nos estudos sobre os processos de trabalho em diferentes setores econômicos em que o trabalho intelectual adquire uma dimensão central (cadeia produtiva da saúde, biotecnologias, produção de software, telecomunicações) – é definido em termos de “Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento”, denominação do seu grupo de pesquisa de base até janeiro de 2016, inscrito no CNPq.

O OBSCOM, atento a tal problemática, tem produzido um conjunto de pesquisas e análises que podem ser divididas em duas grandes linhas. Uma relacionada às Políticas de Comunicação, o que inclui os estudos sobre a regulação e a regulamentação dos setores de telecomunicações, radiodifusão, internet e cultura, e outra, de estudos que estão agrupados na perspectiva da Economia Política da Comunicação e da Cultura, com projetos específicos tratando sobre a TV, a internet e mais recentemente a música. Teórica e metodologicamente, a segunda linha precede a primeira, consonante à abordagem da Economia Política.

O OBSCOM da Universidade Federal de Sergipe foi criado em 1994, vinculado ao Departamento de Economia (DEE) e, em 1997, passou a integrar uma das áreas de concentração do Núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa em Economia (NUPEC) www.nupec.ufs.br. Atualmente vincula-se também à recém criada pós-graduação em Comunicação da UFS. O objetivo, desde o início, foi desenvolver estudos no campo da Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPC). Como consequência da competência construída ao longo dos anos, o OBSCOM assumiu uma posição de protagonista na organização dos estudos em Economia Política da Comunicação na América Latina, sediando a Rede Eptic (www.eptic.com), e participou ativamente na construção da União Latina de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (ULEPICC) e na organização do campo da Comunicação em nível internacional.

A experiência e a atuação do OBSCOM nessas várias frentes e em especial a luta interna no campo da Economia e da Comunicação, para garantir espaço para a inserção dos estudos de Economia Política e as temáticas relativas à comunicação e à cultura, têm dado resultados concretos, seja na produção bibliográfica de seus membros, na participação em entidades e redes acadêmicas, mas também na introdução de disciplinas em cursos de graduação e pós-graduação, ou seja, na formação, em Comunicação Social e em Ciências Econômicas, no âmbito da Universidade Federal de Sergipe.

Em termos de sua produção bibliográfica, podemos desenhar uma cronologia que, observada em perspectiva histórica, sugere um relevante grau de organicidade das preocupações que estiveram e se mantem, redefinidas e re-problematizadas, a cada momento, nos trabalhos de seus membros.

Duas áreas são fundamentais, neste momento, na análise dos setores de produção de conteúdo: a televisão digital, cujo estudo, no grupo, se dá em cooperação com grupo Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS) e a análise da cadeia produtiva da economia da música em Sergipe, desde uma perspectiva da chamada Economia Política da Música, articulando três dimensões, o trabalho, a tecnologia e o mercado; e que hoje se desdobra na análise dos setores do audiovisual e do teatro. No primeiro caso, trata-se de um tema que extrapola evidentemente a questão da produção de conteúdo, indicando, na verdade, uma das linhas de força do processo global de digitalização geral do mundo. A colaboração CEPOS/OBSCOM vai, justamente, no sentido de problematizar a questão da digitalização e da convergência, que se expressa nas diferenças entre as lógicas sociais da internet e da televisão digital terrestre.

No segundo caso, trata-se de destacar esse setor fundamental das indústrias de conteúdo no Brasil, frente ao fenômeno da convergência. A evolução dos processos de produção, distribuição e fruição da música, desde os primórdios da constituição da sociedade burguesa ocidental, na Europa, é exemplar. Nos períodos mais recentes, desde a constituição da Indústria Cultural, com base nos processos de reprodução técnica da obra de arte, a música é parte essencial da constituição de indústrias culturais específicas tão importantes como as do rádio, do cinema, da televisão e, hoje, no aperfeiçoamento dos sistemas técnicos da economia da internet, que redundarão em mudanças radicais nas estruturas de mercado, nas formas de consumo, prefigurando inclusive, de certa forma, o que pode acontecer com o audiovisual em futuro próximo.

A partir de janeiro de 2016, o Observatório passa a albergar os grupos de pesquisa “Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento” e CEPOS, fundidos em um único grupo incrito no CNPq – OBSCOM/CEPOS.